terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Portanto vós orareis assim Mt. 6.9

A oração é o meio pelo qual nos relacionamos com Deus. É maravilhoso termos a possibilidade de nos apresentar frente ao trono da graça. Aliás, esta expressão usada pelo escritor de Hebreus traz a figura do rei soberano estendendo seu favor àqueles que não merecem, ou que deveriam receber todo o tipo de castigo. Mas, este rei sendo misericordioso manifesta a sua graça, seu perdão e seu favor. A oração é como uma audiência onde somos recebidos e atendidos por aquele que conduz a história e que nos abençoará com a sua boa perfeita e agradável vontade. O favor divino se manifesta até quando ele não nos dá o que pedimos. A frase inicial deste verso: “Portanto vós orareis assim” pode muito nos ajudar a compreender a importancia da oração em nossa caminhada cristã. Primeiro, a oração distingue nossa espiritualidade da religião vazia e sem sentido. Quando Jesus ressalta aos seus discípulo: "portanto vós orareis assim" ele o faz distinguindo seus discípulos dos fariseus e dos gentios. Estes tinham a sua espiritualidade voltada para o homem. Gostavam de serem visto pelos seus. Não procuravam se relacionar com Deus, mas, se mostrarem religiosos, procuravam o aplauso e serem visto pelos outros. A distinção é enfática, “portanto vós”. Nosso relacionamento para com Deus é totalmente diferente da religião fazia e sem sentido do mundo e dos incrédulos. Enquanto o mundo tenta apaziguar a ira do Deus distante, nós nos relacionamos com nosso pai providencial que já foi apaziguado pelo sacrifício de Cristo na cruz do calvário. Por isso, temos acesso direto, sem escalas, sem martírios, olhando apenas para o mediador que nos salvou. Perceba a diferença da oração cristã em relação às rezas repetidas que nos cercam nas seitas e em outras religiões.

A frase inicial de Jesus também nos ensina que a oração é uma ordem e como tal deve ser obedecida pelos cidadãos do reino eterno. “Vós orareis” é um imperativo. Nossa espiritualidade precisa ser nutrida e fortalecida. E a oração é o meio pelo qual nos expressamos em gratidão, suplicas e amor para com Deus. A oração não tem o objetivo de fazer nossas necessidades conhecidas, pois, o próprio Senhor já tinha dito (Mt. 6.8) que o Pai sabe do que necessitamos. Por que então orar? Para nos ligarmos ao eterno e comungamos com o divino. Não que teremos alguma mudança em nossa substância, mas, porque nutriremos a nossa comunhão com Deus. Além de uma ordem a oração deve ser constante. Parece uma contradição, visto que temos uma ordem que deve ser obedecida, fica claro que a oração tem que ser constante. No entanto, para deixar bem claro a intenção e fortalecer a sua orientação; o Senhor Jesus usa um tempo no verbo que seus ouvintes entenderiam claramente que eles não poderiam deixar de orar. Em todo o tempo, em todo o lugar.

A frase inicial: “portanto vós orareis assim” também nos ensina que existe um modo aceitável de nos aproximar de Deus. Mais uma vez o contraste com os fariseus e gentios nos serve de advertência. Enquanto estes criam seus modos de expressão para com Deus, nas praças, nos cantos das sinagogas, com repetições tagarelas Jesus passa a modelar a forma como seus discípulos se relacionam com Deus. Embora salvo, remidos, justificados e aceitos em Cristo, Deus continua sendo Deus e nós continuamos como criaturas. Não podemos inventar meios e modos de acordo com nossa imaginação manchada pelo pecado, nem nos guiar pelas “boas” intenções do nosso coração pecador para agradar a Deus. A forma aceitável é determinada por ele mesmo. Assim, a oração do Senhor nos mostra o caminho correto, o como podemos agradar a Deus com nossas orações. Assim sendo, devemos ter sempre este modelo em nossa mente para que não confundamos filiação com intimidade pecaminosa, graça com obrigação e misericórdia com entusiasmo. Oremos ao Senhor. Sejamos distintos em nossa espiritualidade como bons servos, obedeçamos à ordem e sejamos constantes em oração, mas, seguindo o caminho que nos é ordenado. “Portanto vós orareis assim.”

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