segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Comentários sobre o catecismo Maior de Westminster - pergunta 01




Pergunta 01 - Qual é o fim supremo e principal do homem?
Reposta: O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.
Meditação: Por que nascemos? Qual é o nosso propósito? Na tentativa de responder a estas perguntas a humanidade se perde por mil caminhos. Dizem alguns que a finalidade do homem é a felicidade pessoal. Partindo desta resposta buscam todos os meios de prazer e realizações pessoais. Trabalho, estudo, drogas, sexo. O eu em primeiro lugar. Mas não era para ser assim. Nos diz as escrituras que o homem foi criado por um Deus pessoal para um relacionamento pessoal. Deus, o Senhor e criador do universo, o absolutamente outro,  criou seres os humanos a sua imagem e semelhança. O que isto significa? O homem é o representante de Deus perante a sua criação. Deus é o Criador e os homens regentes da criação. Tanto, homem e mulher refletem quem Deus é, manifestando atributos comunicados por Deus a eles tais como: Conhecimento, retidão e santidade. Neste ato criador Deus comissiona o homem para: 1º) O adorar como Deus vivo e verdadeiro. 2º) Cuidar do seu semelhante e preservar e continuar a espécie criada. 3º) Cultivar e cuidar do jardim, símbolo da totalidade da criação. Cumprindo estes mandatos o homem estaria exercendo a razão da sua criação, o seu propósito supremo que é adorar a Deus e encontrar toda a sua felicidade e realização nele. Pois somente olhando para o criador, amando ao próximo e governando a criação o homem pode encontrar significado para a sua existência. Não é sem motivos que o pecado nos afasta de Deus, do próximo e nos faz degradar e destruir e criação. Agindo assim o homem se perde, e passa a uma busca irracional e sem sentido de razões e significados. Fomos criados para glorificar a Deus. Isto é mais que palavras bonitas ou mãos levantadas é vida prática, é amor ao próximo, é consciência ecológica e culto santo, reverente e pessoal.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Fidelidade, questão de honra.


Deus em sua imensa misericórdia e amor instituiu meios através dos quais ele comunica graça aos seus filhos. Três são estes meios: a oração, a administração dos sacramentos e a pregação da palavra. A graça comunicada por estes meios tem haver com o fortalecimento da fé no coração dos salvos e a ação do Espírito Santo na regeneração e condução do perdido ao arrependimento e a fé.


A oração como meio de graça fortalece a fé do fiel com a certeza do amor de Deus e da manifestação de sua providência durante a vida. Os sacramentos fortalecem a fé em cada uma de suas administrações. Seja relembrando a morte do Senhor, seja simbolizando nossa morte para o mundo e um renascimento para o reino de Deus. Não é sem razão que a administração dos sacramentos é a encenação das escrituras. No entanto estes dois meios de graça são subordinados a pregação da palavra. Visto que nossas orações possuem como fundamento as promessas de um Deus de amor que se revela especialmente nas escrituras, e Somente por meio das escrituras a administração sacramental encontra pleno significado e propósito.

A pregação, como meio de graça dominante deveria ocupar lugar especial nos cultos cristãos, mas, infelizmente não é o que acontece.

Em muitos círculos evangélicos músicas e testemunhos ocupam a primazia. Emoções a “flor da pele” levam o fiel ao êxtase da sensibilidade conduzindo-os a arrepios, ruivos e a irracionalidade. Não poucas vezes textos provas tentam provar o improvável. E ao invés de produzir e fortalecer a fé criam uma comunidade sem vida e pecadora. Quando despenseiros se tornam palhaços a igreja se transforma em circo, os fiéis em platéia.

O desprezo da pregação também é percebido em círculos mais conservadores. Muito embora muitas denominações sustentem o lema da reforma:"sola scriptura" rejeitam o "tota scriptura". Como assim? Em muitas igrejas pastores dizem pregar apenas as escrituras, mas evitam voluntariamente temas polêmicos e textos difíceis de se compreender. Este tipo de pastor forma uma igreja fraca na fé, que é mais influenciada pelos pregadores da mídia do que por seus sermões simplistas de uma fé que nem ele mesmo compreende. É absurdo o completo desconhecimento de verdades essenciais do evangelho por parte da igreja. O lema "tota scriptura" traz a responsabilidade de se ensinar todo o desígnio de Deus, e não apenas partes que são mais fáceis e claras.

A palavra como meio de graça precisa ser acompanhada por dedicação e estudo. Uma observação triste, mas real é que mais de 60% dos pastores não lêem 20 livros por ano. Raros são os que se dedicam a exegese. John Stott tem uma opinião que se demonstra verdadeira na prática. Ele diz: Um pastor que não investe no mínimo 24 horas de uma semana estudando o texto que irá pregar não pode dizer que o conhece. E se o texto não é conhecido o que será pregado? Não é sem motivo que os púlpitos são áridos, sem vida, engraçados ou emocionalistas. É mais fácil decorar piadas e contar histórias que estudar o texto.

Nossas igrejas correm um grave risco domingo após domingo. O risco de estarem sendo enganadas por pastores despreparados. A reforma protestante do século XVI foi muita influenciada por uma iniciativa dos humanistas daquela época, a chamada "ad fonts". Um interesse dos intelectuais em buscar as fontes do ensino e não se contentar com comentários destas fontes. Por que ler o que dizem de Aristóteles? Vamos ler o que ele mesmo escreveu. Este espírito fundamental do humanismo teve um papel devastador e essencial para a reforma. Erasmo de Roterdã elabora uma versão do Novo testamento grego. A vulgata latina de Jerônimo como versão oficial da igreja passa a ser comparada com o novo testamento grego. E indo a fonte os reformadores perceberam que muitos textos traduzidos pela vulgata não estavam corretos. Conseqüentemente muitas doutrinas que tinham como fundamento este textos também eram falsas. Um texto mal escrito, uma interpretação mal feita é o suficiente para lançar a igreja nas trevas da heresia. Mas será que estamos longe de tantos erros? Quando o texto bíblico não é estudado a  partir das línguas originais (hebraico e grego) corremos o risco de não pregarmos fielmente a palavra de Deus. John Macarthur está certo ao afirmar que "somente o texto corretamente interpretado é a palavra de Deus." Mas como interpretar corretamente o texto tendo como base meras traduções? Infelizmente não é possível. Um compromisso sério com a palavra significa estudo, dedicação, empenho, entrega. A igreja sofre com pregações sem sentido, promessas que Deus não fez e pastores preguiçosos. A palavra é o meio de graça por excelência, por meio dela o Espírito Santo produz fé e fortalece a fé. Que Deus desperte nossos líderes chamados ministros do evangelho a um compromisso maior para com a palavra. Não apenas sola scriptura, mas tota scriptura. Esta é a única maneira de edificarmos a igreja de Deus.



Que Deus tenha piedade de nós.