sexta-feira, 28 de novembro de 2014

A unção com óleo

Em Agosto de 2013, fiz nas igrejas em que sirvo um estudo nesta passagem da Carta de Tiago. O Assunto da "unção com óleo" não tinha sido ventilado nos arraiais Presbiterianos. Uma realidade, hoje presente e triste na IPB. Abaixo apresento uma exposição do Rev. Leandro Lima professor do Centro Presbiteriano de pós graduação Andrew Jumper. Chegamos as mesmas conclusões e praticamento os mesmos argumentos.

Tg 5:14 Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; ACF2007



A partir do estudo desta passagem, o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil acabou de aprovar a “unção com óleo”. A decisão diz o seguinte:


“1) Reafirmar que Deus é soberano para atender ou não, aos pedidos nas orações, segundo sua suprema vontade, independente da fé do crente.
2) Determinar aos pastores e presbíteros que não unjam pessoas ou objetos com óleo durante cultos de qualquer natureza, públicos ou em casas, quer sejam reuniões ou encontros em quaisquer lugares.
3) Permitir excepcionalmente que a unção com óleo seja realizada, exclusivamente em pessoas, nunca em objetos, pelos pastores e presbíteros somente quando forem convidados por membros enfermos de suas igrejas, em suas casas, orando por eles e suplicando de Deus o seu pronto restabelecimento.
4) Que a exceção mencionada no item anterior fica à discrição dos pastores e presbíteros das igrejas locais uma vez certificados de que o enfermo crente, não atribui poderes miraculosos ao óleo e também que seu emprego não irá gerar superstições e misticismo”.


Sem dúvida, a questão da unção com óleo é complexa e não é nosso objetivo repudiar a decisão do Supremo Concílio, a qual tentou fazer justiça ao texto bíblico, e, provavelmente fez, na medida do possível. Nosso objetivo aqui é ponderar algumas observações que, talvez, lancem mais luz sobre o assunto e nos ajudem ver a questão sob outro ângulo.

Inicialmente, é preciso dizer que, provavelmente, o principal equívoco em relação à interpretação do texto de Tiago seja a preocupação com o óleo em si mesmo, desconsiderando o contexto em que ele foi utilizado. Há muito esforço por parte de alguns estudiosos para dizer que trata-se de um óleo medicinal, o qual seria utilizado como uma espécie de remédio. Nesse caso, a interpretação é falha porque o próprio texto parece negar o poder do “óleo" de curar, dizendo antes que “a oração da fé” salvará o enfermo.

Por outro lado, há um esforço por parte de outros especialistas em desqualificar o próprio óleo, focalizando mais na importância da oração, tornando o óleo algo opcional. É óbvio que a oração é fundamental, e ela, segundo Tiago, levantará o enfermo, mas a questão aqui é que pouco adianta tentar enfraquecer o uso do termo óleo, pois a ordem de utilizá-lo está no texto, e não podemos removê-la. É preciso lembrar que todo o texto ordena que se faça isso, usando verbos imperativos, e nesse sentido, o Supremo Concílio foi coerente, pois não quis proibir algo que claramente é “mandado fazer” na Escritura.

O ponto, provavelmente, que precisaria ser mais trabalhado é justamente o contexto da afirmação de Tiago. Notamos que a preocupação maior dos intérpretes está em definir o tipo de óleo ou o caráter terminológico da palavra “ungir”, e pouca atenção é dada às palavras “doente" e “enfermo”. Estariam elas realmente falando de doença física?

Tiago orienta: "Está alguém entre vós doente?”. A palavra “doente" é astheney (ἀσθενεῖ), a qual, prioritariamente tem o sentido de “fraco”, “débil”. A palavra é aplicada desse modo, denotando “fraqueza espiritual” em várias passagens do Novo Testamento. Em Romanos 14.1, Paulo usa essa palavra para falar do irmão “fraco” na fé. Em 1Coríntios 8.7, Paulo fala de pessoas que têm uma “consciência fraca”, utilizando essa mesma palavra. Evidentemente, o termo pode ser aplicado para doença física, mas para isso, o contexto precisa ser claro. E não parece ser esse o caso do contexto de Tiago 5. (È RELEVANTE RESSALTAR QUE EM  JO.11 3 e 6, A PALAVRA ASTHENEY INDICA ENFERMIDADE FÍSICA, Nota Rev. Welison)

O contexto de Tiago 5 está evocando o perigo do pecado que acarreta juízo de Deus e, ao mesmo tempo, o modo como alguém pode ser resgatado desse pecado através do arrependimento e da oração por parte da igreja. No verso 11, Tiago elogiou aqueles que “perseveram firmes”, ou seja, que não se deixaram desviar dos caminhos de Deus, mesmo sob intenso sofrimento, e menciona o exemplo de Jó para isso. Porém, infelizmente, nem todos conseguem ser firmes e perseverantes como Jó, e Tiago sabe disso.

No verso 12, ele faz uma advertência formal: “Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto; antes, seja o vosso sim sim, e o vosso não não, para não cairdes em juízo”. Portanto, ele parece estar mencionando alguma situação específica de perjuro entre os crentes, e relembrando o ensino do Senhor para que evitassem juramentos formais, mantendo apenas o padrão da verdade através de respostas simples: sim, sim; ou, não, não. Ou seja, um crente não pode viver "aquém" daquilo que a Palavra ensina, pois a fé sem obras é morta (Tg 2.26), mas também não deve ir “além”. Um excesso de rigor pode levar o crente a uma vida de legalismo, e, consequentemente, de uma fé morta pelo caminho oposto. De qualquer modo, Tiago está alertando o crente a evitar ser atingido pelo juízo de Deus por causa de um pecado que lhe cause uma queda espiritual.

Nesse contexto ele diz: “Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores” (Tg 5.13). “Sofrendo" é a tradução da palavra kakopathia (Κακοπαθεῖ), e literalmente significa “sentimento mau”. A ideia é de um sentimento de aflição. Ou seja, se alguém está aflito, provavelmente em decorrência das pressões do mundo, deve fazer oração. Por outro lado, se está livre disso, ou seja, se mesmo enfrentando o sofrimento e a tribulação impostos pelo mundo, continua “animado” (εὐθυμεῖ), então deve “cantar salmos” (ψαλλέτω). Nisso percebemos que ele está descrevendo situações emocionais e, ou, espirituais. Não se tratam de aspectos físicos, mas de estados de espírito, ou seja, o contexto se encaixa mais numa descrição de uma “doença espiritual”.

Então, temos os versos 14-15: "
 Tg 5:14 Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor;ACF2007”. Ou seja, se alguém está “débil" na fé (oposto de animado), possivelmente por alguma situação de pecado que gerou um “desvio” espiritual, essa pessoa deve chamar os presbíteros da igreja, e eles devem ungi-la com óleo, e orar por ela. Consequentemente, a oração da fé “salvará o enfermo”. Essas duas palavras são muito importantes. “Salvará” no texto grego é σώσει (sósei). O termo típico para salvação de pecados. E enfermo é κάμνοντα (kamnonta) que tem o sentido primário de “exaustão”. Portanto, o Senhor “salvará o desanimado”. É claro que todos esses termos podem ser aplicados a “doença física”, mas o assunto de Tiago não é “doença física” e sim “doença espiritual”. Ele está falando, provavelmente, de uma pessoa que pecou gravemente, se afastou dos caminhos de Deus, porém, ao ser tocada pelo arrependimento, deseja voltar, mas não tem forças. Assim, os presbíteros devem formalmente ir até ela, orar por ela e ungi-la. Assim, formalmente, o pecado cometido fica perdoado diante de Deus e dos homens. Nesse caso, o óleo é o símbolo do Espírito Santo renovando a vida espiritual desse pecador.

Que o assunto é esse, fica ainda mais claro na sequência do texto: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tg 5.16). Ou seja, o pecador deve confessar seu pecado e receber oração formal, assim, é reconduzido à comunhão da igreja.

Sobre a pergunta que poderia surgir, ou seja, se homens pecadores poderiam fazer isso por outros pecadores, Tiago responde com o exemplo de Elias: “
17 Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra.18 E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto.” (Tg 5.17-18). Portanto, nisso está a eficácia da oração do justo. Não é a ideia de perfeição de quem está orando, pois Elias é citado aqui como “sujeito aos mesmos sentimentos”, mas sua oração foi ouvida por Deus. A metáfora de “abrir o céu” e “fechar o céu”, no caso de Elias, fica ainda mais significativa. Quando os presbíteros oram para que Deus restaure o pecador arrependido, isso tem uma correspondência direta com o que é decidido no céu. Em situação semelhante evocando disciplina, restauração e perdão de pecados, no famoso Mateus 18, Jesus disse: "Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 18.18).

Os dois últimos versículos do capítulo e do livro de Tiago não deixam dúvida de que o assunto é “perdão de pecados”: “Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados” (Tg 5.19-20).

Portanto, em que situação a carta de Tiago autoriza os presbíteros a utilizarem o óleo? Para ungir qualquer doente? Parece-nos que não. A prática desse ato pode facilmente conduzir aos abusos e a uma consideração idolátrica do óleo. Formalmente, os presbíteros poderiam utilizar o óleo para ungir um pecador arrependido, que cometeu um pecado grave e se desviou do caminho de Deus (talvez perjuro), porém arrependido deseja voltar, mas não tem forças espirituais para isso. Então, formalmente, os presbíteros vão até ele quando chamados, oram por ele, ungem-no com óleo, simbolizando a restauração espiritual através do Espírito Santo, e confiam que seu ato realizado na terra foi confirmado no céu. Isso retira qualquer "poder" de cura do óleo em si mesmo, e estabelece-o como um símbolo da ação restauradora do Espírito Santo.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Resenha: A CABANA

Já faz tempo que o liberalismo teológico tem assediado e invadido uma boa parte do campo evangélico brasileiro. Os prejuízos para a pregação do evangelho têm sido enormes. A decadência doutrinária aumenta com rapidez e muitos crentes estão cada vez mais confusos.

Por várias décadas, o liberalismo teológico vem ganhando espaço nas denominações históricas e em seus seminários. Nos últimos anos, porém, alguns segmentos pentecostais foram atingidos por essa corrente de pensamento, algo inimaginável até então, pois, ser pentecostal significa crer no poder e na Palavra de Deus.

A exemplo dos liberais, alguns pentecostais se julgam espertos o suficiente para duvidar de Deus e da sua Palavra. Hostilizar o cristianismo, exaltar a dúvida e questionar a Bíblia Sagrada tornou-se para muitos um sinal de academicismo e inteligência.

É o que vemos hoje através das igrejas emergentes, que pregam uma ortodoxia generosa,¹ onde as verdades e temas vitais da fé cristã perdem sua importância. Tudo indica que há uma apostasia se instalando em muitas igrejas evangélicas, algo já predito na Palavra de Deus e que aponta para a volta de Cristo (2 Ts 2.3; 2 Tm 4.1; 2 Tm 4.1-4; 2 Pe 2.1).

É num solo assim, fértil para a semeadura e crescimento de distorções das doutrinas centrais da fé cristã que surge o livro A Cabana² promovendo o liberalismo teológico e fazendo sucesso entre os evangélicos e a sociedade em geral.

Este artigo apresenta uma breve análise, à luz da Bíblia, sobre esse best-seller a fim de responder algumas indagações de muitos cristãos.

I – Definições

Liberalismo teológico: Movimento da teologia protestante que surgiu no século XIX com o objetivo de modificar o cristianismo a fim de adaptá-lo à cultura e à ciência modernas.

O liberalismo rejeita o conceito tradicional das Escrituras Sagradas como revelação divina proposital e detentora de autoridade, preferindo o conceito de que a revelação é o registro das experiências religiosas evolutivas da humanidade. Apregoa também um Jesus mestre e modelo de ética, e não um redentor e Salvador divino.

Pluralismo religioso: A crença de que há muitos caminhos que levam a Deus, que há diversas expressões da verdade sobre ele, e que existem vários meios válidos para a salvação.

Relativismo: Negação de quaisquer padrões objetivos ou absolutos, especialmente em relação à ética. O relativismo propala que a verdade depende do indivíduo ou da cultura.

Teologia relacional (teísmo aberto): Conceito teológico segundo o qual alguns atributos tradicionalmente ligados a Deus devem ser rejeitados ou reinterpretados. Segundo seus proponentes, Deus não é onisciente e nem onipotente. A presciência divina é limitada pelo fato de Deus ter concedido livre-arbítrio aos seres humanos.

II – O livro A cabana

A história do livro

Durante uma viagem que deveria ser repleta de diversão e alegria, uma tragédia marca para sempre a vida da família de Mack Allens: sua filha mais nova, Missy, desaparece misteriosamente. Depois de exaustivas investigações, indícios de que ela teria sido assassinada são encontrados numa velha cabana.

Imerso numa dor profunda e paralisante, Mack entrega-se à Grande Tristeza, um estado de torpor, ausência e raiva que, mesmo após quatro anos de desaparecimento da menina, insiste em não diminuir.

Um dia, porém, ele recebe um bilhete, assinado por Deus, convidando-o para um encontro na cabana abandonada. Cheio de dúvidas, mas procurando um meio de aplacar seu sofrimento, Mack atende ao chamado e volta ao cenário de seu pesadelo.

Chegando lá, sua vida dá uma nova reviravolta. Deus, Jesus e o Espírito Santo estão à sua espera para um “acerto de contas” e, com imensa benevolência, travam com Mack surpreendentes conversas sobre vida, morte, dor, perdão, fé, amor e redenção, fazendo-o compreender alguns dos episódios mais tristes de sua história (Informações extraídas da orelha do livro).

O livro é uma ficção cristã, um gênero que cresce muito na cultura cristã contemporânea e comunica sua mensagem de uma forma leve e fácil de se ler. O autor, William P. Young trata de temas vitais para a fé cristã tais como: Quem é Deus? Quem é Jesus? Quem é o Espírito Santo? O que é a Trindade? O que é salvação? Jesus é o único caminho para Deus?

III – Pontos principais do livro³

1. Hostilidade ao Cristianismo

“As orações e os hinos dos domingos não serviam mais, se é que já haviam servido... A espiritualidade do Claustro não parecia mudar nada na vida das pessoas que ele conhecia... Mack estava farto de Deus e da religião...” (p. 59).

“Nada do que estudara na escola dominical da igreja estava ajudando. Sentia-se subitamente sem palavras e todas as suas perguntas pareciam tê-lo abandonado” (81).

Resposta bíblica: Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a sua Igreja (Mt 16.18).

2. Experiência acima da revelação
As soluções para os probemas da vida surgem de experiência extrabíblicas e não da Palavra de Deus. As alegadas revelações da “Trindade” são a base de todo o enredo do livro. Mesmo fazendo alusões às verdades bíblicas, elas não são a base autoritativa da mensagem.

3. A rejeição de Sola Scriptura

A Cabana rejeita a autoridade da Bíblia como o único instrumento para decidir as questões de fé e prática. Para ouvir Deus, Mack é convidado a ouvir Deus numa cabana através de experiências e não através da leitura e meditação da Bíblia Sagrada.

Resposta bíblica: Rm 15.4: “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”.

2 Tm 3.16, 17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a coreção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.

A igreja não precisa de uma nova revelação, mas de iluminação para entender o que foi revelado nas Escrituras.

4. Uma visão antibíblica da natureza e triunidade de Deus

Além de errar sobre a Bíblia, A Cabana apresenta uma visão distorcida sobre a Trindade. Deus aparece como três pessoas separadas, o que pode ser chamado de triteísmo.

O autor tenta negar isso ao escrever: “Não somos três deuses e não estamos falando de um deus com três atitudes, como um homem que é marido, pai e trabalhador. Sou um só Deus e sou três pessoas, e cada uma das três é total e inteiramente o um” (p. 91).

Young parece endossar uma pluralidade de Deus em três pessoas separadas: duas mulheres e um homem (p. 77). Deus o pai é apresentado como uma negra enorme, gorda (p. 73, 74, 75, 76, 79), governanta e cozinheira, chamada Elousia (p.76).

Jesus aparece como um homem do Oriente Médio, vestido de operário, com cinto de ferramentas e luvas, usando jeans cobertos de serragem e uma camisa xadrez com mangas enroladas acima dos cotovelos, mostrando os antebraços musculosos. Não era bonito (p. 75).

O Espírito Santo é apresentado como uma mulher asiática e pequena (p. 74), chamada Sarayu (p. 77, 101).

Resposta bíblica: Dentro da natureza do único Deus verdadeiro há três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. São três pessoas distintas, mas, não separadas como o livro apresenta. Além disso, o Pai e o Espírito Santo não possuem um corpo físico. Veja Jó 10.4; João 4.24 e Lucas 24.39.

5. A punição do pecado

O livro apregoa que Deus não castiga os pecados: “Mas o Deus que me ensinaram derramou grandes doses de fúria, mandou o dilúvio e lançou pessoas num lago de fogo. — Mack podia sentir sua raiva profunda emergindo de novo, fazendo brotar as perguntas, e se chateou um pouco com sua falta de controle. Mas perguntou mesmo assim: — Honestamente, você não gosta de castigar aqueles que a desapontam? Diante disso, Papai interrompeu suas ocupações e virou-se para Mack. Ele pôde ver uma tristeza profunda nos olhos dela. — Não sou quem você pensa, Mackenzie. Não preciso castigar as pessoas pelos pecados. O pecado é o próprio castigo, pois devora as pessoas por dentro. Meu objetivo não é castigar. Minha alegria é curar. — Não entendo...”

Resposta bíblica:

A Cabana mostra um Deus apenas de amor e não de justiça. Apesar da Bíblia ensinar que Deus é amor, não falha em apresentá-lo como um Deus de justiça que pune o pecado:

“A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18.4).

“Semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro” (Rm 1.27).

“porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23).

“E a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus” (2 Ts 1.7, 8). Cristo morreu pelos nossos pecados (1Co 15.3).

6. O milagre da encarnação

O livro apresenta uma visão errada da encarnação de Jesus Cristo: “Quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos. Também optamos por abraçar todas as limitações que isso implicava. Mesmo que tenhamos estado sempre presentes nesse universo criado, então nos tornamos carne e sangue” (p. 89).

Resposta bíblica:

De acordo com a Bíblia, somente o verbo encarnou (Jo 1.14). Veja ainda Gl 4.4; Cl 2.9 e 1Tm 2.5.

7. Jesus, o melhor ou único caminho para o Pai?
No livro, Jesus é apresentado como o melhor e não o único caminho para Deus: “Eu sou o melhor modo que qualquer humano pode ter de se relacionar com Papai ou com Sarayu” (p. 101).

Resposta bíblica:

A Bíblia é muito clara ao afirmar que Cristo é o único que pode salvar: Is 43.11; Jo 6.68; Jo 14.6; At 4.12 e 1 Tm 2.5.

8. Patripassionismo

O livro promove uma antiga heresia denominada patripassionismo, que é o sofrimento do Pai na cruz: “O olhar de Mack seguiu o dela, e pela primeira vez ele notou as cicatrizes nos punhos da negra, como as que agora presumia que Jesus também tinha nos dele. Ela permitiu que ele tocasse com ternura as cicatrizes, marcas de furos fundos” (p. 86). “Olhou para cima e notou novamente as cicatrizes nos pulsos dela” (p. 92). “Você não viu os ferimento em Papai também”? (p. 151).

Resposta bíblica

A Bíblia mostra que foi Jesus quem sofreu na cruz e recebeu as marcas dos cravos e não o Pai ou o Espírito Santo. Veja João 20.20, 25, 28.

9. Universalismo

A Cabana promove o universalismo, isto é, que todas as pessoas serão salvas, não importa a sua religião ou sistema de crença. “Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa. Tenho seguidores que foram assassinos e muitos que eram hipócritas. Há banqueiros, jogadores, americanos e iraquianos, judeus e palestinos” (p. 168, 169).

“Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero me juntar a eles em seu processo para se transformarem em filhos e filhas do Papai, em irmãos e irmãs, em meus amados” (p. 169).
Jesus afirma: “A maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso significa é que eu viajarei por qualquer estrada para encontrar vocês” (p. 169).

Resposta bíblica

Não há base bíblica para tais afirmações. A Palavra de Deus ensina que não existe salvação fora de Jesus Cristo. Apesar de o universalismo ser uma doutrina agradável, popular e que reflete a política da boa vizinhança, a Bíblia afirma que nem todos serão salvos: Veja Mt 7. 13, 14; 25.31-46; 2 Ts 3.2.


Escrito por Dr. Paulo Romero

NOTAS

* Pastor presidente da ICT - Igreja Cristã da Trindade; Presidente da Agir - Agência de Informações Religiosas
¹ Brian McLaren, Uma ortodoxia generosa (Brasília, Editora Palavra, 2007). Este livro promove muitas das propostas denunciadas neste estudo.
² YOUNG, William P., A cabana (Rio de Janeiro, Editora Sextante, 2008).
³ Algumas idéias foram extraídas de um trabalho publicado por Norman Geisler: “Norm Geisler Takes “The Shack”to the Wood Shed. Acessado em 18 de dezembro de 2008. www.thechristianworldview.com

BIBLIOGRAFIA

EVANS, C. Stephen, Dicionário de apologética e filosofia da religião(São Paulo, Editora Vida, 2004).
NICODEMUS, Augustus, O que estão fazendo com a Igreja (São Paulo, Editora Mundo Cristão, 2008).
PIPER, John et alli, Teísmo aberto: uma teologia além dos limites bíblicos (São Paulo, Editora Vida, 2006.
WILSON, Douglas (org.), Eu não sei mais em quem eu tenho crido: confrontando a teologia relacional (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2006).
YOUNG, William P., A cabana (Rio de Janeiro, Editora Sextante, 2008).

O FASCISMO DO PT

O fascismo, foi um regime totalitário inaugurado na Itália em 1924 cujas características são o culto ao líder, a utilização do Estado para finalidades particulares – na maior parte das vezes, espúrias – a distribuição do poder entre os apoiadores e a criação do Estado Policial para perseguir adversários, é caracterizado ainda por utilizar da propaganda para transformar mentiras em verdades e na economia pregam o agigantamento e o controle estatal dos meios de produção, além do discurso nacionalista ou anti-imperialista.
Esta forma macabra de se fazer política ganhou corpo no mundo todo e não fosse a II Guerra mundial teria se transformado na prática política da moda, visto sua capacidade de gerar dividendos aos grupos que ocupam ao poder visto que o Estado é utilizado para a perpetuação destes em seu comando ao mesmo tempo que persegue e massacra os opositores.
No Brasil tivemos um período de 15 anos no passado de namoro do presidente Vargas no 1º governo com as práticas políticas fascistas, e agora quase 80 anos passados podemos perceber estas características no governo Brasileiro, o bigode não é a única semelhança entre Lula e Hitler, a começar pelo discurso do nunca antes, Lula se coloca no discurso como o líder salvador que emergiu dos pobres para trazer desenvolvimento ao país, libertando o Brasil das elites, dos Estados Unidos e etc..., embora a nível de governo o que se verifica é exatamente o contrário da retórica.
Não obstante, a utilização do aparato do Estado para se perpetuar no poder trouxe ao presidente a maior base de apoio institucional que se tem notícia embora não tenha havido em qualquer momento deste governo qualquer medida estruturante de modernização do país, o governo agregou sob seu guarda chuva o apoio maciço dos partidos de todas as orientações – PP, PDT, PSB, PR PC do B, e muitos outros que só tem em comum o P e nada mais.
A perseguição dos adversários começou de forma subliminar em 2003 na tentativa até certo ponto bem sucedida de se desqualificar o governo Fernando Henrique, não por acaso a desconstrução do governo que permitiu que o presidente Lula tivesse base econômica para governar e que talvez tenha sido o único dos últimos 50 anos que tenha imprimido tantas mudanças essenciais para o país.
Desde então a perseguição aos adversários foi ganhando corpo e se dando de maneira sanguinária e destrutiva, políticos da oposição foram caindo 1 a 1 ou por via jurídica ou por via eleitoral através do uso do Estado em eleições locais, como no caso de Artur Virgilio, Marco Maciel, Mão Santa e Tasso Jereissati, parlamentares de atuação reconhecidamente produtiva e que foram perseguidos pelo ex presidente.
Na questão da propaganda temos outra semelhança dos governos petistas com o fascismo, ao vender ao público um desenvolvimentismo que só existe na cachola do PT, se repete no Brasil a tática bem sucedida de Joseph Goebbles de que “uma mentira contada 1 milhão de vezes se torna uma verdade axiomática”. E é assim que a população acredita nos não sei quantos milhões que saíram da pobreza da miséria e etc...
Enfim, as semelhanças econômicas entre os governos estatizantes do PT que querem controlar tudo e os governos estatizantes de Mussolini e Hitler ficarão para outro artigo, mas há mais semelhanças do que diferenças entre o Fascismo dos anos 30 e o PT.

fonte:http://www.benitosalomao.com/2013/11/o-pt-e-o-fascismo-brasileiro.html

Em terra de cego que tem um olho... é encrenqueiro.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Jesus: O caminho para a verdadeira adoração



A adoração faz parte do ser humano. Fomos criados seres adoradores. Esta é uma realidade inegável da natureza humana e que pode ser facilmente comprovada por qualquer sociólogo. Em qualquer parte do planeta, seja na tribo mais atrasada ou no País mais desenvolvido sempre encontraremos adoradores de alguém ou de alguma coisa. Em teologia isto é chamado senso da divindade. Cada ser humano traz gravado na sua mente a idéia da existência de um ser superior que precisa ser adorado. Partindo desta idéia o homem cria um sistema de adoração que definimos como um sistema religioso, ou seja, uma tentativa de se ligar ao divino.
Esta idéia incrustada na natureza humana se deve ao ato criador de Deus; que nos criou para o seu louvor e adoração. Isto mesmo. Fomos criados todos com um único propósito: adorar a Deus. Propósito sublime este. Ter um relacionamento íntimo e sincero com o criador do universo, expresso por amor e paz. Onde Deus, como Pai terno nos estenderia a sua benfazeja mão e nos abençoaria com toda sorte de bênçãos, principalmente a bênção da sua gloriosa presença.
Infelizmente as coisas não ficaram assim. Com a entrada do pecado no mundo o homem se afastou do Deus santo. Por causa do pecado um grande abismo, intransponível abismo se colocou entre Deus e o homem. No entanto o pecado que separou o homem de Deus não aniquilou o senso do divino no ser humano. Eis agora a humanidade com um grande e terrível problema. Criada para adorar, mas afastada de Deus por causa do pecado e com isto incapaz de adorá-lo.
Para resolver a ânsia, o grito do ser que clama por adorar o homem passou a construir, planejar e fabricar os seus próprios deuses. Criados, agora a sua imagem e semelhança e que de alguma forma aplacava, saciava a sede de adorar. No entanto o Deus verdadeiro, aquém desde o princípio o homem em santidade deveria cultuar, não aceita substitutos e considera tal ato por parte dos homens terrível idolatria. Assim podemos definir este verbete: Idolatria: Muito mais que adorar um ídolo, mas substituir o Deus verdadeiro por um falso deus. Neste sentido cada homem do planeta é um idólatra. Mesmo que não se ajoelhe frete um pedaço de madeiro ou pedra, mas se tem em seu coração uma outra divindade, mesmo que seja o próprio eu, tornasse um idolatra. Pobre homem. Criado para se relacionar com Deus. Por causa do pecado afastado Dele e na tentativa de resolver tal problema e se ligar novamente ao divino cava ainda mais o buraco em que está. Como resolver?
Ao que ao homem é impossível é possível para Deus. O abismo é grande, profundo, terrível... para o homem, não para Deus. Vencendo assim toda e qualquer separação Deus se faz homem em Cristo. O filho eterno se encarna. Ao homem perdido vem se colocar como caminho. Ao homem em trevas vem ser a luz do mundo e por seu sangue ligar novamente o homem a Deus. Todos os homens? Não. Mas apenas aqueles que o reconhecem como o elo, o meio pelo qual Deus nos atrai a si mesmo. E assim Jesus, o messias prometido, nascido de uma virgem paga em sua vida de obediência e em sua morte sangrenta as exigências de Deus e se faz meu substituto. Para que por meio de sua morte eu tenha a vida, por meio de sua ressurreição eu tenha a garantia da eternidade adorando ao eterno. Assim tendo sido criado para adorar posso, por meio de Cristo Jesus, adorar a Deus, com a certeza de ter sido aceito pelo Pai. A verdadeira adoração se descreve nestas palavras de Jesus: “Vinde a mim todos que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” Mt. 11.28