domingo, 24 de maio de 2009

A IRRESISTIVEL GRAÇA DE DEUS

Em nossa primeira lição estudamos as trágicas conseqüências do pecado na raça humana. O homem que fora criado para ter comunhão com Deus se viu longe do seu criador e completamente incapaz de se aproximar novamente Dele. A Bíblia se utiliza de palavras fortes para definir a condição do homem caída em pecado tais como: morto, escravo e servo de satanás.
A própria palavra pecado define bem esta condição caída do homem. Em hebraico (língua que o Antigo Testamento foi escrito) a palavra pecado (hajx) entre outras coisas significa – perder o rumo. Em Grego (língua que o novo testamento foi escrito) o termo pecado (amartia) significa errar o alvo. Assim: O homem foi criado para ter comunhão com Deus, mas com a entrada do pecado do mundo o homem se desviou deste caminho e segue agora longe de Deus em direção e sentido do inferno.
No entanto Deus decidiu não condenar todos os homens ao inferno. E para poder salvar àqueles que Ele por livre graça escolheu desde a fundação do mundo (Ef. 1.3-14) Ele elaborou o plano de Salvação. Enviou seu filho unigênito ao mundo para que, por meio de uma morte substitutiva e redentiva o pecado dos eleitos fossem expiados e a Sua justiça satisfeita. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” . (2 Co 5:21).

A FÉ – A MARCA DISTINTIVA DOS ELEITOS

Todo àquele que crê será salvo. Esta é dedução lógica das palavras de Jesus em João 3.16 “...para todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna.” Falando ao carcereiro na cidade de Filipos, Paulo lhe disse: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. “ (At.16.31). Existe, portanto algo que distingue aquele que vai ser salvo daquele que vai se perder eternamente, a Fé em Jesus. Este ato de crer em Jesus é muito mais do que acreditar que Ele nasceu, morreu e ressuscitou, lembre que várias seitas e falsas religiões pregam estes pontos. Tais como Testemunhas de Jeová, mórmons, Espíritas, mulçumanos etc. Mas, crê em
Jesus significa acreditar que o seu sacrifício na cruz é absolutamente suficiente, não sendo necessário mais nada para que o homem possa ser salvo. Crê em Jesus é reconhecê-lo como Senhor da vida, e confessa-lo publicamente: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Rm 10:9).

Assim o Salvo crê em Cristo enquanto o perdido não crê em Cristo

A FÉ UMA OBRA DO ESPÍRITO SANTO

Até aqui temos dito que todos os homens estão mortos em seus delitos e pecados. (Ef 2.1. 5, Cl 2.13). No entanto temos dito também que todo àquele que crer em Cristo será salvo (Jo.3.16) mas, como homens mortos em delitos e pecados podem crer em Cristo? A resposta a esta pergunta é uma declaração formal da soberania de Deus na salvação do Perdido. Paulo a responde nestes termos: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;” Ef.2.8 Deus dá ao homem a fé com a qual este homem crê em Jesus. Jesus falando da obra de Deus no coração do homem diz algo interessante: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado.” (Jo 6.29). Perceba que a obra de Deus é fazer com que o homem creia naquele que o próprio Deus enviou, isto é, creia em Jesus. Contudo algo anterior ao ato de Crer acontece no coração do pecador para que ele possa compreender as coisas de Deus. A regeneração.

A REGENERAÇÂO ANTERIOR AO ATO DE CRER

Chamamos de regeneração o ato de Deus trazer vida àqueles que estavam mortos em seus delitos e pecados. A regeneração é anterior ao ato de crer, pois, mortos não podem crer. No entanto Deus atua no coração do eleito produzindo vida espiritual em seu coração. Paulo fala desta verdade nestes termos: “e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois salvos,” (Ef 2:5). Tratando do mesmo assunto, ou seja, a nossa salvação o apóstolo continua: “Mas, quando apareceu a benignidade e caridade de Deus, nosso Salvador, para com os homens, 5 não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo,” (Tt. 3.4,5). Este ato de regenerar é uma das funções do Espírito santo. Percebamos que Paulo fala do lavar regenerador e renovar do Espírito Santo. Sem esta atuação no coração do morto espiritual não há a menor possibilidade de salvação. Conseqüentemente temos dois lados nesta atuação do Espírito. 1º De um lado nos eleitos – Ele age produzindo vida espiritual e fazendo com que este entenda a mensagem do evangelho e se volta para Deus. O maior exemplo disto é a própria conversão de Paulo no caminho de Damasco quando Deus lhe chama e este outrora morto espiritual, passa a entender as coisas de Deus e se torna um apóstolo de Cristo. (At. 9) 2º De outro lado a dos não eleitos: O Espírito Santo não age no coração do não eleito. Apenas o deixa seguir seu caminho de pecado em pecado até que ele se perca eternamente. Mas por que o Espírito não age também neste coração perdido? Esta é uma pergunta que só Deus pode responder: “Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão” Rm 9:15 .
Mas esta é uma conseqüência lógica. Se todo aquele que crer será salvo e esta fé com que cremos nos é dado por Deus, o foto de muitos não crerem é por que não receberam a fé de Deus para que possam crer. Isto é eleição. Deus escolheu dentro o número total de pecadores àqueles que haveriam de crer em Cristo enquanto deixou os outros em seu estado de pecado. Posso até não entender, mas não posso deixar de ver está verdade nas escrituras. Jesus deixa esta verdade ainda mais clara ao afirmar: “Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer.” (Jo 5.21)

O MEIO PELO QUAL A FÉ É PRODUZIDA NO CORAÇÃO DOS ELEITOS


Assim como Deus determinou antes da fundação do mundo o número dos eleitos; ele também determinou o meio pelo qual os eleitos crerão em Cristo. Este meio é a pregação do Evangelho. Somente por meio da pregação do evangelho Deus atua no coração do homem perdido produzindo fé . Percebamos a seqüência lógica de Paulo ao escrever aos Romanos: “12 ¶ Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. 13 Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. 14 Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? 15 E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas! (Rm .10.13-15).
A seqüência de Paulo é : invocar – ser salvo – crer – ouvir o evangelho para crer. Invertendo a frase: o evangelho é pregado, o perdido crê e invoca o nome do Senhor. Tiago fala desta verdade nestes termos: “Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.” (Tg 1.18). A clareza de Tiago é espantosa. Somos gerados não segundo o nosso querer, mas segundo o querer de Deus. E para tal fim, ou seja, nos gerar Ele se utiliza da palavra da verdade. Um dos exemplos mais fortes está no antigo testamento (Ez 37. 1 -15). O profeta é levado a um vale de ossos secos – este vale representa o povo de Deus. Mas quando o profeta começa a proclamar a palavra do Senhor o Espírito Santo atua sobre os ossos secos e faz surgir uma grande multidão. Sem pregação não há salvação. Por isso Jesus deu aos discípulos a grande comissão (Mt 28.19, Mc 16.15) Ir por todo o mundo pregando o evangelho.
A pregação do evangelho é o meio pelo qual Deus atua no coração do perdido produzindo fé e por fim a salvação. Por este motivo a função primordial do ministro do evangelho é pregar o evangelho. Ou seja: pregar a morte redentiva e substitutiva de Jesus na Cruz do calvário. A pregação da palavra é chamada meio de Graça por isto. Na ato da pregação Deus produz fé no coração do incrédulo. E neste momento também Deus atua no coração dos que já são salvos confortando, desafiando a mudanças diárias (santificação) e confirmando a fé em cada coração. Por isso a instrução de Paulo ao jovem pastor Timóteo é esta:” 1 Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; 4 e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. 5 Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério. (1Tm 4.1-5) – Deus cobra Fidelidade.

A VOCAÇÃO EFICAZ X VOCAÇÃO EXTERNA

Todos estes atos de Deus: regenerar, produzir fé por seu Espírito santo através da pregação do evangelho é chamado vocação Eficaz, ou seja, o chamado que Deus faz para àqueles que lhe pertencem. A este chamado o homem não pode negar. E nem dizer que não o quer. Em outras palavras: Uma vez chamado por Deus o homem não tem condições de negar o convite do evangelho, todos os que são convocados por Deus se convertem. Jesus expressa esta verdade nos seguintes termos: “ Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.” (Jo 6.37). A declaração de Jesus não deixa dúvida quanto a doutrina, todo àquele que o Pai dá ao filho vem a ele sem exceção alguma.
Mas a Bíblia por diversas vezes não parece fazer um convite às pessoas para que aceitem a Cristo? Esta é a diferença entre vocação eficaz e vocação externa. Podemos citar estes versículos como exemplo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mat 11:28); “Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto”. (Isaías 55:6) “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” (Ap 3:20). Em todos estes textos a mensagem do evangelho é oferecida gratuitamente e sinceramente a todos os homens, pois como diz Paulo: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens,” (Tito 2:11). Por meio da pregação o evangelho é anunciado, o amor de Deus é declarado e a promessa de que todos os que crerem serão salvos é feita. Neste momento existe uma atuação direta do Espírito Santo sobre os eleitos que ouvem a mensagem. Sobre eles o Espírito santo produz vida espiritual e eles entendem a mensagem do evangelho e passam a crer em Cristo. Enquanto que sobre os outros, os não eleitos, não há atuação nenhuma do Espírito Santo. Eles apenas seguem o seu caminho de pecado até a perdição eterna. Este é o exemplo de Lídia: “ No sábado, saímos da cidade para junto do rio, onde nos pareceu haver um lugar de oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que para ali tinham concorrido. Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.” (At. 16.13,14). O texto é claro ao afirmar que Deus abriu o coração de Lídia para que ela entendesse.

DEUS FORÇA O HOMEM A ACEITÁ-LO?

Para alguns a doutrina da irresistível graça de Deus ensina que Deus força o homem a aceita-lo. Mas esta não é a verdade. Deus nunca força ninguém a aceita-lo. Lembremos que mesmo após o pecado o homem continuo sendo um ser religioso. Mas por causa da corrupção ele era incapaz de adorar ao Deus verdadeiro e passou a criar as suas próprias divindades. Agora, uma vez que este mesmo ser religioso sofre a ação do Espírito Santo em seu coração dando-lhe vida espiritual este ser tem condições de se voltar para o Deus verdadeiro e adora-lo em espírito e verdade. Não é Deus quem o força é o homem que, outrora criado para ter comunhão com Deus, se volta para o seu criador em arrependimento e fé confiando no sacrifício redentivo e expiatório de Cristo de Jesus em seu favor na cruz do calvário. Com nos diz Paulo: “Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” (Romanos 2:4)

Nenhum comentário: