domingo, 4 de janeiro de 2015

VEJAM AS VOSSAS BOAS OBRAS

Diferentes povos, diferentes raças, diferentes culturas este é o mundo. Para uma convivência pacífica os homens, organizados em sociedades, criam normas de conduta. Essas normas possuem a finalidade de reger as muitas relações dentro desta diversificada estrutura social. Por um lado elas implicam em deveres a serem cumpridos e por outro lado, penalidades em caso de quebra de alguma delas. A justiça é estabelecida quando as regras, indistintamente, são aplicadas sobre cada cidadão. Grandes ou pequenos, homens ou mulheres, negros ou brancos. Não é sem motivo que a figura tradicional da justiça é uma mulher segurando uma balança, com os pratos centralizados, e tendo os olhos vendados.
As regras das sociedades são o reflexo ou expressão da imagem de Deus no homem. Mesmo após a queda o homem traz, ainda que deturpada pelo pecado, a imagem do seu criador; sendo uma das facetas dessa imagem a retidão. O senso moral que julga, que estabelece regras, que delineia limites e cria fronteiras entre o certo e o errado e entre o direito de um e o do outro, é usado por Deus para refrear o avanço do mal. Por isso o estado como sociedade organizada, ou mesmo a tribo com seus caciques, podem ser chamados de ministros de Deus, um instrumento divino que pela aplicação justa das condenações previstas na lei, freia o avanço do mal entre as pessoas e torna a convivência possível e o mundo habitável.
Uma sociedade organizada dentro desse ideal de justiça funcionaria perfeitamente. Entretanto, a retidão como faceta da imagem de Deus se corrompeu por causa da queda. Assim, ainda que possuindo a capacidade de se organizar e de julgar entre o certo e o errado, ou mesmo tendo a capacidade de agir de acordo com a lei de Deus no que se refere a criação das normas, um novo elemento é adicionado. Um elemento “corrompidor”, o pecado.
O pecado passa a ser um elemento condicionante dentro de qualquer sistema, pois, a sociedade, que se explica pela harmonia do grupo e seu desenvolvimento em detrimento do particular, sofre a sua influência negativa . As leis regem o indivíduo em prol do coletivo, o pecado inverte isto e o indivíduo passa a ser o centro de todo o sistema. Contudo, as normas criadas ainda protegem o grupo em detrimento do particular, mas para burlar isto o pecado se manifesta na injustiça. E o que seria a injustiça, se não o abandono da verdade, ou a aplicação parcial da lei em beneficio particular? A venda deixa um dos olhos à mostra, a balança possui pesos falsos, e aquele que paga mais tem o seu “direito” assegurado.
A injustiça possui um combustível, algo que a sustenta e motiva: o enriquecimento. Uma sociedade edificada sobre sistemas financeiros, onde o lucro é o objetivo a ser alcançado, onde o ter é essencial e onde as pessoas são movidas pelo sonho de consumo, o dinheiro, como a raiz de todos os males, passa a exercer o peso fundamental na balança. A verdade, como análise dos fatos puro e simples ou como manifestação de uma retidão original, ainda que corrompida, mas presente, é ofuscada, quando não esquecida, pelo preço do terno ou a marca do carro de quem reclama. O estado como instrumento da democracia surge neste contexto com um discurso populista, mas com medidas paliativas criando mais desconfiança. Sendo o dinheiro o fator motivador, superabundam malas, meias e panetones no poder público, realçando e nominando a injustiça como corrupção. Onde mais uma vez, a verdade como instrumento de concorrência justa e leal é eclipsada por aquele que paga mais.
O cidadão, parte do grupo maior, que não possui o peso necessário se vê a mercê do sistema corrompido, criado a princípio para protegê-lo, mas, que agora o oprime. Essa realidade cria um sentimento de insegurança e faz o indivíduo mais fraco se isolar atrás dos muros, mais altos a cada dia, com medo do estado, por não confiar nele; e com medo da sociedade por causa da injustiça reinante.
A moeda de troca influencia até mesmo os redutos onde o indivíduo deveria se sentir seguro. Diante da injustiça, nada melhor que buscar a verdade e a justiça naquele que é a verdade e que julga por padrões maiores, ou seja, Deus. Entretanto, o pecado como “corrompidor” está presente até mesmo entre aqueles que falam da justiça e da verdade em nome de Deus. O milagre é para quem paga mais, a bênção tem preço tabelado e as promessas graciosas são vinculadas a ofertas voluntárias. Até mesmo em círculos históricos, a verdade pura do evangelho é maquiada e o mal aceito como expressão da cultura para não se perder salários altos. Mais uma vez o indivíduo oprimido pelo sistema corrupto, se vê sozinho e sem saída. Mas, existiria uma saída?
A lei como instrumento de Deus para frear o mal, pode ser resumida em apenas uma sentença: ao outro o que eu quero para mim. Não é sem motivo que o resumo da lei é a amar a Deus e ao próximo. Ou seja, tirar os olhos do eu, do particular, do privado e olhar para o alto e para o indivíduo que está além. Esta é a conduta daqueles que possuem um compromisso maior, não apenas com o social, mas com Deus; daqueles que obedecem as regras da sociedade, não por medo da punição, mas por dever de consciência. Que lutam contra a corrupção não com palavras, mas com a vida, refletindo nas estruturas corrompidas à luz daquele que é o sol da justiça, se tornando assim, verdadeiros luzeiros. Homens que não são movidos pelo lucro imediato, temporal, mas que entesouram bens maiores em outro lugar.
A influência marcante de um envolvimento com o sagrado se reflete no dia a dia, no trânsito, na escola, no trabalho, na política; salgando, iluminando e fazendo diferente e a diferença. Existe uma saída: conduta cristã genuína e influente. Que não esconde a verdade, que denuncia o erro e aponta o caminho, a verdade e a vida. Que propaga a mensagem conhecida como boas novas, não apenas em discursos, mas com a existência. vivendo no grupo a transformação particular que a verdade do evangelho produz.

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